quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Teoria e prática

Há muitas coisas que sabemos e relembramos de modo ainda mais vívido quando repetimos o mesmo erro novamente e novamente. Mas uma coisa é saber, outra é praticar. Se colocar em prática certas descobertas fosse tão fácil tudo seria tão simples, bastaria descobrir o que está errado e pronto, num passe de mágicas tudo estaria perfeito... Há, contudo, essa barreira por vezes intransponível entre teoria e prática.
Hoje me lembrei de uma verdade distante, porém constante no sentido que sempre reaparece para afirmar sua existência. E por vezes eu finjo que essa verdade não é mais minha, tenho a ilusão de que reconhecê-la no passado e pensar que afirmando que não a quero mais pra mim, que aprendi, vai fazer com que a supere. Até que chega uma hora em que ela está lá: dou de cara com ela ali parada em minha frente, sua presença em outra forma faz parte do jogo de se adequar às minhas situações. Ali está ela, sorrindo pra mim num sorriso cínico, como quem diz "ahá, eu ainda existo".
Mas pra superar essa verdade - que é uma mentira, já me disseram tantas vezes, mas dizer apenas não basta - é preciso mais do que reconhecê-la e saber que ela ainda existe. É preciso mais do que saber que ela é uma mentira. Eu só vejo esse abismo entre saber e fazer, abismo esse que no momento é maior do que o salto que minhas pernas podem dar. Eu não sei o que fazer com essa verdade-mentira, queria poder riscá-la da minha agenda como risco as coisas que não preciso lembrar mais porque já passaram.
Mas há algum mérito nisso tudo, só pra não ser pessimista demais: reconhecer um problema pode não significar solucioná-lo, mas ao menos é o primeiror passo para superá-lo - afinal, ninguém resolve uma questão que não existe para si.

"Se fazer fosse tão fácil quanto saber o que seria bom fazer, as capelas seriam igrejas, e as choupanas dos pobres, palácios de príncipes." (William Shakespeare)