De vez em quando sinto uma indiferença tão grande que não acredito que seja eu mesma. E eu já não me importo tanto quanto me importaria... Mas eu sorrio. Sorrio porque uma sábia mulher um dia me ensinou a ficar sempre de cabeça erguida, por mais que não se queira erguer a cabeça, ou qualquer mísero músculo do corpo. E sorrio porque quem sabe assim eu acredito que tudo está sempre bem. Porque ser pedante a ponto de se lamentar sempre também cansa. Então eu sorrio, sorrio... Sorrio porque as pessoas que amo tem precisado de um sorriso meu mais do que eu mesma, e eu não vejo a hora de isso acabar, porque eu também quero poder ser um pouco marrenta e não sorrir. E quero poder também me entregar à minha indiferença, à minha falta de vontade em relação ao que me fazia sorrir um sorriso tão sincero. Nos últimos meses há dias em que sinto cada vez mais sono e cada vez menos fome, o que será que isso quer dizer? Tem dias em que só quero ficar quietinha no meu cantinho, mas resolvo ignorar meu desejo e ser alguém que nem sempre sou inteira, quase inteira, ou apenas pela metade, mas que, apesar das forças contrárias, sou eu. Um dia já achei que meu eu fosse Ela, mas hoje sei que não... Eu aprendi a mandá-la embora, por mais que custe às vezes resistir aos seus acenos, aprendi a diferenciá-los... Não posso ser sempre alegre por dentro e por fora, e isso não é o fim do mundo, e nem mesmo é um sinal dela, sempre.
E eu fiquei pensando no que alguém me disse ontem sobre meu sorriso alegre e meu olhar triste (ou vice-versa, não me lembro ao certo)... Eu não sou uma coisa só, mas sorrio.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
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